A Bolsa, como ela é...
Sim, o imprevisível mercado acionário se resume basicamente nesta expressão.
Oras, dirão os mais informados, para que servem então todos aqueles analistas financeiros, as complexas análises fundamentalistas, os grafistas com suas análises técnicas, o estudo de mercado, e a lista das 10 mais da Você SA se tudo está a mercê de o que os investidores acham que vai acontecer no futuro?
Nada, eu respondo, além de tentar passar uma sensação de segurança em um lugar onde quem reina é o caos.
A Bolsa, segundo Keynes, assemelha-se a um cassino. O fato de você ter tirado 6 no dado no passado não aumenta a possibilidade de repetir o feito numa segunda ocasião.
Obviamente, uma análise fundamentalista para um investimento a LP, ou técnica para o curto ou DT podem ser ferramentas úteis, desde que você não as considere como verdades absolutas. O fato é que nenhum analista do mundo pode prever o futuro. Eles podem apontar tendências, suposições e expectativas, mas nunca estarão 100% convictos de que suas previsões estão corretas.
O mercado só é instável por causa da expectativa. Todos, não só você, estão no mesmo barco esperando o primeiro gritar "Abandonar o navio" e aí todos pulam na água. Ou melhor: se parece ainda com aquela brincadeira de festas juninas, onde alguém grita "Olha a cobra" e todo mundo vai para o outro lado, até que essa mesma pessoa diz "É mentira..." e todos passam a caminhar para onde estavam indo antes. Simples assim; a famosa manada de touros em que um acompanha outro sem saber onde vai chegar.
Para lucrar com ações a estratégia é mais óbvia que parece. Você deve comprar quando todos querem vender, e vender quando todos querem comprar. Em outras palavras, ser um touro rebelde da manada dos iguais.
Tomaremos a crise como exemplo. Alguém gritou "Olha a cobra", que era a crise, e o mercado se comportou negativamente. Quem estava no barco pulou, quem estava no porto não embarcou. Os papéis, mesmo os blue-chips, desvalorizaram-se gradativamente. Alguns de maneira assustadora. Grandes investidores migraram para o conservadorismo, como renda fixa e poupança. Este era o momento ideal de pegar a sacolinha e ir às compras, agindo como se fosse uma liqüidação: "KLBN4 à 2,86; VCPA4 à 8,51. Corram, venham comprar, pois é por tempo limitado!". E realmente era.
Quando, enfim, disseram "É mentira...", que era a tal da marolinha do Lula, o mercado se reaqueceu. Bancos, antes temerosos, passaram a liberar crédito, empresas que estavam demitindo, aos poucos, passaram a contratar, e, hoje, a Bolsa encontra-se novamente em ascenção. E dou um doce para quem descobrir algum analista, com excessão do Roubini, que tenha feito uma previsão de queda de 70% do valor de alguma ação antes ou durante a crise.
Como disse, ninguém pode prever o futuro.
O mercado de ações é um jogo. Os riscos existem, porém, são calculados, e, ao menos que você seje muito teimoso, dificilmente perderá mais que 50% do seu capital.
Portanto, arrisque. Coloque um pouco de pimenta na sua vida. Torça, vibre, estude. Leia muito, mantenha-se sempre informado e jogue. Na final, quem pode ganhar o título do campeonato realmente é você.
Mas lembre-se de mim quando topar os analistas...
Dilma x Serra

E chega mais um ano eleitoral.
William Bonner diz "Boa noite" mais cedo, o jogo de quarta-feira termina mais tarde e o país fica um pouco mais poluído com os "santinhos" jogados na rua. Isso sem contar os 20 intermináveis minutos diários do Programa Partidário Obrigatório, que, se fosse tão interessante mesmo, nem precisaria ser obrigatório.
Enfim, é ano eleitoral. E neste ano, mais que uma disputa entre indivíduos e partidos políticos almejando o supremo poder da Terra Tupiniquim, teremos uma épica e intrínseca batalha entre duas correntes filosóficas econômicas. Dilma x Serra. PT x PSDB. Keynesianismo x Neoliberalismo.
Explico.
Nem todo o governo tem ambas características. O Governo Lula, por exemplo, aplica uma política de contensão inflacionária considerada conservadora ao mesmo tempo que basea-se nos pressupostos Keynesianos quanto ao consumo e renda, bem como em sua preocupação com o desenvolvimento de obras públicas e projetos sociais.
Já no governo tucano, tivemos a privatização de diversas empresas estatais como uma forte característica neoliberalista, mas não detectamos qualquer elemento relevante oriundo de uma intervenção do estado.
Em outras palavras, a ideologia do PSDB é visivelmente amparada pela Lei de Say, pelos conceitos fisiocratas de mercado e pela rejeição da política anticíclica, que no ponto de vista clássico seria uma rédea no desenvolvimento. O PT, ao contrário, adotou uma política intervencionista, dando um papel regulamentador ao estado baseado na teoria de John Maynard Keynes.
Portanto, não é incoerente afirmar que estamos diante de um momento ímpar na história política e econômica deste país. Temos a oportunidade de escolher se queremos ou não o estado em nossas vidas, se a política que está sendo adotada é o melhor caminho para o desenvolvimento e se a intervenção governamental na economia se faz mesmo necessária.
A decisão é nossa.
Taxação do capital estrangeiro: Devaneio do Mantega ou Protecionismo de Mercado?

Andei lendo alguns comentários no site da Mycap e no Uol e notei que tem muita gente equivocada sobre a taxação do capital estrangeiro imposta a partir de hoje pelo governo.
Seguramente, posso dizer que essa medida não visa ajudar os exportadores, não serve pra elevar o preço do dólar, não tem nada a ver com a crise financeira e muito menos é ruim para o pequeno investidor. Simplesmente é uma ação defensiva - já existente, inclusive, em outros países - que inibe a ação do capital especulativo estrangeiro, ou seja, os "Gringos" que investem sem comprometimento algum com as empresas ou com o país, pensando exclusivamente na oscilação do mercado. Portanto, sugiro que analisem com cuidado.
Particularmente eu não creio que seja um "bicho-papão" como estão dizendo. A princípio, obviamente que a decisão afetará a curva de oferta e demanda dos papéis negociados na BOVESPA, mas ainda sim eu vejo a taxação como uma medida que já deveria ter sido adotada há muito tempo.
Afinal, se querem especular, eles que especulem nos seus respectivos países, oras!
O "ser especulador"
Mês mais do que sem graça! Nenhum acontecimento verdadeiramente digno de um comentário aqui no blog.
Exceto o fato de que um grande amigo está prestes a entrar corajosamente na tempestade inescrupulosa que é o mercado financeiro. E, se não bastasse, de maneira declaradamente especulativa, fria, com requintes de crueldade, transpassando uma mensagem meio que subliminar do tipo "Desenvolvimento sustentável que nada, eu quero é money!".
Sorte à ele. E só, porque dom, ele já tem.
De qualquer forma, o mês de outubro não pode passar despercebido. Por isso, revolvi postar um trecho retirado do Livro "Os Axiomas de Zurique" (isso não se trata de link patrocinado) com o intuito de mostrar um pouco sobre o que é ser um "ser especulador".
"Estratégia Especulativa
Especificamente, o que o 1º Axioma aconselha a você fazer com o seu dinheiro?
Manda arriscá-lo. Não tenha medo de se machucar um pouco. Geralmente, a taxa de risco em que estará envolvido não chega a ser de arrepiar os cabelos. Ao se decidir a enfrentá-la, estará se dando a única chance realista de pôr-se acima da pobreza.
O preço a pagar por esta chance gloriosa é um estado de preocupação permanente. Esta preocupação, porém, insiste o 1º Grande Axioma, não é a doença que a moderna psicologia acredita ser. É o molho forte e picante da vida. Quando você se habituar com seu gosto, não passará mais sem ele."
Tempo, tempo...
Pra que tanta pressa, Tempo? Você já foi mais calmo, mais maneiro. Naquele tempo você era mais Tempo, ou tinha mais tempo, sei lá. Hoje é essa agonia, essa ansiedade.
Lembra que Dorival Caymmi demorou 9 anos para compor João Valentão? Pois é. Hoje basta uma noite para alguém compor uma sinfonia, um dia para produzir um filme, uma hora para escrever um livro, um segundo para parir um poema. Filmes, discos, livros que ninguém irá curtir direito, por falta de tempo.
Por causa dessa sua paixão pela velocidade, já não bebo com meus amigos, não converso com meus filhos, não namoro minha mulher. Ainda bem que eles nem percebem, não dá tempo.
Amar demora muito. Como amar o que não se tem tempo de conhecer? O máximo que eu consigo é dar uma checada rápida, pisando no freio e no acelerador ao mesmo tempo, como fazem os pilotos de Fórmula 1 para não perder tempo nas curvas. É isso! Você transformou minha vida num Grande Prêmio: cronometrado e sem direito a erros.
Você é pão duro, Tempo. Pão duro e omisso. Sempre que preciso de você, você manda a Pressa em seu lugar. Mas o que mais me irrita é essa sua prepotência, essa sua boçalidade, essa determinação cega de nunca voltar atrás. Isso me deixa louco da vida. Sua sorte é que estou sem tempo agora, senão…
Os onze ingredientes de uma pizza
São onze denúncias de "atos secretos" - nem tão secretos assim - envolvendo o presidente do senado, José Sarney. Entre elas, repasse de informações privilegiadas, sonegação de impostos, nomeação de parentes e agregados para cargos na instituição por atos secretos e desvio de dinheiro para contas no exterior.
Todas, pasmem-se, foram arquivadas. E, como se não bastasse, arquivadas pelo Conselho de Ética!
Ética...
Característica, esta, que deveria ser quesito mínimo dos senhores que estão no senado eleitos representantes da sociedade brasileira.
Característica que, no entanto, está designada à poucos.
E engana-se quem acha que qualquer outra nação goste mais de pizza do que a brasileira. Ou ainda quem acredite que outros a façam melhor.
Aqui é assim: cara-a-cara, olho no olho. Sem medo. A preparação é escancarada, desde a massa até a azeitona. Todo mundo vê, mas ninguém faz nada. Afinal, é só mais uma pizza, nem a última, nem a primeira.
Mas essa vai demorar à ser digerida, pois, nunca na história desse país, foram usados tantos ingredientes de uma só vez. Onze!
Pai inflacionado
Isso por que, segundo estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), os presentes típicos do Dia dos Pais sofreram inflação de até 20% com relação a 2008.
O Blaizer Masculino, por exemplo, sofreu alta de 19,81%, enquanto a camisa masculina está 6,81% mais cara.
Seu pai não só vai ficar contente com o presente na data comemorativa como também em saber que ele está mais valorizado.
Mas nada é mais importante que o carinho e o amor demonstrados nesse dia tão especial.

Dia que, inclusive, não tem nada a ver com marketing, vendas, ou algo do gênero.
Não é?
Sobre dinheiro e felicidade
É o que eu sempre ouço dizer desde criança.
Engraçado é que quando o fator financeiro não é o motivo de uma briga conjugal, ele, na menor das hipóteses, é pelo menos citado. Isso sem contar as noites mal-dormidas cujo o motivo é a severa preocupação com alguma prestação em atraso.
Eu não quero nem imaginar ter que depender do Sistema Único de Saúde caso um dia eu fique doente. Também não pretendo deixar que meus filhos estudem em escolas onde os professores trabalham a um nível de subsistência, em 3 turnos diários, sem as mínimas condições de lecionarem com qualidade.
Não quero ter de trabalhar a vida toda, e, com 65 anos, ter de gastar 60% da minha mísera aposentadoria com medicamentos.
E não me venham falar que isso é ser feliz, por que não é. Não consigo imaginar alguém contente com tudo isso.
Para mim esse famoso ditado de que dinheiro não traz felicidade foi feito por alguém extremamente frustrado. Alguém que não conseguiu ter tudo o que almejava, fez bico, e disse algo do tipo: "Deixa, eu nem queria mesmo!".
Por isso, vou lançar aqui um ditado mais adequado:
"Dinheiro não traz felicidade, mas paga o frete de tudo o que traz."
E não é que subiu?!
Bom para quem acreditou e comprou barato, já que esse ano alguns papéis chegam a ter uma valorização de mais de 40%.
E quem comprou caro mas foi forte o bastante para enfrentar a crise agarrado aos seus ativos, pode agora ter de volta seu capital investido e dormir, enfim, um pouco mais tranqüilo.
Todo mundo bem feliz, é verdade. Mas ninguém mais que o nosso presidente que vai se gabar pro resto da vida: "Eu não disse que era uma marolinha?! Eu não disse?!"

Nota Fiscal Paulista: A tradução do "Blá Blá Blá".
Principalmente de tarde quando você liga a TV na esperança de ver alguma coisa interessante e se depara com Faustão, Eliana e Gugu travando uma guerra intrínseca não sei se por audiência ou superficialidade. Porém, no intervalo de um desses três programas, algo me chamou muito a atenção.
Foi uma propaganda do governo do estado de São Paulo onde um cidadão é questionado sobre a razão pela qual ele não pede a Nota Fiscal Paulista (NFP). Então ele responde com vários "Blá Blá Blás" dando a entender que não existem motivos para não se participar do programa.
Pensando nisso, resolvi traduzir esses "Blá Blá Blás" descrevendo aqui os motivos que me levam a acreditar que não é correto pedir a NFP aos estabelecimentos.
- Por que sonegar?
Ao abrir uma empresa, você tem que ter em mente que o estado será seu grande sócio majoritário. Ele estará lucrando quando sua empresa lucra ou quando ela está deficitária. Lucrará quando você contrata um funcionário através dos encargos trabalhistas, e em todos os processos de benificiamento de matéria prima até chegar no produto final.
Essa alta carga tributária (diga-se, alimento para a corrupção) é o grande motivo pelo qual as empresas optam por sonegar seus impostos. Assim como, em parte, também é responsável pelo alto índice de falência precoce das empresas de pequeno e médio porte.
- A obrigação de fiscalizar é nossa?
O estado está repassando uma obrigação que é dele (de fiscalizar quem sonega ou não) para a pessoa física.
Fato é que o Brasil é um dos países onde se paga mais impostos. E, ao invés de diminuir essa carga tributária para que as empresas não precisem sonegar para se manterem "vivas", o governo cria um programa que inibe o desenvolvimento do empreendimento, quando, na verdade, sua função seria a de incentivar.
- Desconto em títulos do estado (como o IPVA, por exemplo)
Através da NFP, os estabelecimentos passam a pagar mais ICMS. Esse custo, obviamente, é passado para o consumidor. O estado incentiva a população a pedir a NFP com o intuito de arrecadar mais impostos, e, em troca, oferece uma insignificante percentagem de desconto em títulos de dívidas públicas que você venha a ter. O problema é que esses descontos não serão nem de longe maiores que o que pagaremos a mais por produtos e serviços nos estabelecimentos. Isso significa que o maior prejudicado acaba sendo o próprio consumidor.
Outro fator importante é que o governo estará ciente de tudo o que você gasta. Dessa maneira ficará acessível a ele o seu real poder de compra, e isso, definitivamente, não é bom.
Por esses motivos, não seje aliado da corrupção.
Ouça o "blá-blá-blá". Não exija a Nota Fiscal Paulista!