Analogia perfeita sobre o Brasil
Terceiro
Todo equipado, preparado na linha de partida
Daqui a pouco vai ser dada a saida
Todo mundo nervoso e eu não tó nem aí
O importante é competir
Então tá, vamo lá, nem vou me preocupar
Já tá tudo armado pr'eu me conformar
Eu vou tentar só pra não falar que eu nem sou atleta
Ia ser legal chegar junto na frente
Mas iam falar que quero ser diferente
Tá bom demais, pelo menos eu não saio da reta
Por isso eu sempre sou
Terceiro!
Terceiro!
Pra mim tá louco de bom!
Marcando passo vou seguindo sem ser muito ligeiro
Com cuidado pra não ser o primeiro
É bonito, eu imito mas o pódium não é pra mim
Eu não sou a fim!
Se eu me esforço demais vou ficar cansado
Já dá pra enganar eu ficando suado
Se reclamarem eu boto a culpa no patrocinador
Não botaram fé porque não ia dar pé
Não ia dar pé porque não botaram fé
De qualquer forma eu pego um bronze porque eu gosto da cor
Por isso eu sempre sou
Terceiro!
Terceiro!
Nota do blog: Não tenho idéia se o grupo compôs essa música pensando no país. Mas que parece, parece...
O Brasil está pronto para crescer? Um aumento na SELIC mostrará que não...
"Ao contrario do passado, quando muitas vezes o Brasil saía de uma crise quebrado, hoje não, o Brasil sai da crise de uma maneira muito saudável e preparado para crescer" - Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central.
"No final desta década o Brasil já vai ser um país avançado, a quinta ou a sexta economia do mundo e com potencial de crescer de 5% a 6% por muito tempo". - Guido Mantega, Ministro da Fazenda.
O que há de incomum em ambas afirmações é a certeza de que o Brasil saiu da crise de maneira mais efetiva que outros países. Tanto um quanto outro estão certos de que nosso país está pronto para crescer e o Ministro da Fazenda projeta o Brasil como a quinta ou sexta maior economia do mundo em 10 anos. Haja otimismo.
Pois bem. A controvérsia disso tudo virá na reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) prevista para o próximo dia 28. Esta reunião, muito provavelmente, definirá um aumento de cerca de 0,75% da taxa básica de juros, a famosa SELIC. A justificativa desse aumento está no receio de que a inflação deste ano ultrapasse muito a meta estabelecida pelo governo.
Um aumento na SELIC significa que o crédito ficará mais caro tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Em contra-partida, aplicações em títulos nacionais ficarão, obviamente, mais atrativas. O empresário investirá menos em ampliação do espaço físico, aquisição de novos equipamentos, contratação de mão-de-obra, etc. e mais em aplicações financeiras. Ao mesmo tempo, o consumo dos cidadãos comuns cai devido à diminuição da oferta de crédito. Trata-se de uma política contracionista que normalmente é adotada pelo governo quando este julga que existe muita moeda em circulação e, portanto, a demanda por bens e serviços está maior que a capacidade produtiva do país.
Ora, mas como é que a demanda por bens e serviços está maior que a oferta se, segundo Mantega e Meirelles, o Brasil era um país que estava "preparado para crescer"?
Incoerência, não?
Tenho que admitir que, quando li essas declarações ainda em 2009, fiquei um tanto quanto intrigado. Tudo bem que possuímos aqui uma política tributária efetiva, leis trabalhistas condizentes com a realidade atual, excelente infra-estrutura, transporte de qualidade, aeroportos que operam com a máxima eficiência, empresas com capacidade produtiva ociosa, educação de 1º mundo... Mas acho que "preparado para crescer" é um termo muito complexo quando o assunto é Brasil. Imagine então quando li que seríamos, no fim da década, a 5ª economia mundial? Quase tive um colapso.
Claro que isso, de fato, não é impossível de acontecer. Porém, ao meu ver, pouco provável.
O Brasil tem ainda muito a fazer se quiser um dia vigorar entre as nações mais ricas do globo. Não existe a menor possibilidade de um país ter um desenvolvimento acima da média enquanto ainda achar que a inflação só é controlada através de política monetária.
À grosso modo, fica claro que estamos no início de um processo inflacionário e que a melhor alternativa à curto prazo é o aumento da taxa de juros. Mas, daí o fato de aparecer na mídia com a cara lavada numa tentativa, quem sabe, de auto-promoção dizendo que o país está pronto para crescer, para mim, é no mínimo subestimar a inteligência alheia.
O problema por aqui é político. Ninguém pensa à longo prazo, diga-se num período maior que 4 anos, por que não sabe se ficará por mais tempo que isso no poder e não quer dar a faca e o queijo para um possível inimigo partidário eventualmente assumir o cargo como seu sucessor. O que eu quero dizer é que ninguém vai fazer um projeto que outro possa ficar com os méritos. Isso explica, por exemplo, o fato de não termos uma Reforma Tributária, da Lesgilação Trabalhista, Previdência, entre outras inúmeras que envolvem tempo e trabalho.
A conclusão que chego é que o Brasil não deixará de ser um país subdesenvolvido enquanto permanecer com a idéia de resolver os seus problemas pensando no curto prazo. E receio que o resultado mais que óbvio da reunião do COPOM é uma gigantesca amostra disso.
Lição do dia: Como não se comportar no último ano de mandato

O Brasil cresceu consideravelmente nos últimos anos.
Nos tornamos uma espécie de líder na América do Sul, conseguimos controlar a inflação, e elevamos o índice de confiabilidade internacional. Isso sem contar a maneira surpreendente que saímos da crise financeira. Esses 7 anos que se passaram, apesar de todos os escândalos políticos, foi um período vitorioso num contexto geral.
No entanto, há uma ressalva a se fazer. Neste ano, nosso presidente anda dando uma mancada atrás da outra.
Primeiro escolheu um boneco ventríloco como candidato à sucessor. Dilma Rousseff não tem nem de longe 30% da empatia que o trouxe ao Planaldo Central. Como bem disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Dilma é como a lua, não tem luz própria, e, portanto, utiliza a luz do sol para que seja vista.
Ainda não contente com nossos incontáveis problemas internos, Lula quer se envolver também com os problemas alheios. Foi fazer uma pretenciosa visita no Oriente Médio, como se fosse ajudar muito nas negociações de paz em um ambiente onde a guerra já é cultural. Estava no Oriente ao invés, por exemplo, de presenciar a cerimônia de posse do novo Presidente Sebastián Piñera que, ao meu ver, seria bem mais beneficiária ao país, uma vez que estreitaria muito as relações entre Brasil e Chile.
Para terminar, vão aumentar a taxa de juros. Não foi ontem como previsto por alguns analistas, mas na reunião que acontecerá em 28 de abril um aumento de pelo menos 0,5% na taxa SELIC é praticamente certo. Essa medida serve para controlar a inflação, mas, como efeito colateral, amarra o desenvolvimento do país.
É uma pena, porque toda vez que o Brasil engatilha um crescimento sustentável alguém aparece para segurar a demanda interna e desestimular a indústria.
Decepcionante.
Mudança no template
Além disso adicionei uma ferramenta de anúncios do Google que aparece no final de cada postagem, já incluindo esta.
Espero que gostem.
A Bolsa, como ela é...
Sim, o imprevisível mercado acionário se resume basicamente nesta expressão.
Oras, dirão os mais informados, para que servem então todos aqueles analistas financeiros, as complexas análises fundamentalistas, os grafistas com suas análises técnicas, o estudo de mercado, e a lista das 10 mais da Você SA se tudo está a mercê de o que os investidores acham que vai acontecer no futuro?
Nada, eu respondo, além de tentar passar uma sensação de segurança em um lugar onde quem reina é o caos.
A Bolsa, segundo Keynes, assemelha-se a um cassino. O fato de você ter tirado 6 no dado no passado não aumenta a possibilidade de repetir o feito numa segunda ocasião.
Obviamente, uma análise fundamentalista para um investimento a LP, ou técnica para o curto ou DT podem ser ferramentas úteis, desde que você não as considere como verdades absolutas. O fato é que nenhum analista do mundo pode prever o futuro. Eles podem apontar tendências, suposições e expectativas, mas nunca estarão 100% convictos de que suas previsões estão corretas.
O mercado só é instável por causa da expectativa. Todos, não só você, estão no mesmo barco esperando o primeiro gritar "Abandonar o navio" e aí todos pulam na água. Ou melhor: se parece ainda com aquela brincadeira de festas juninas, onde alguém grita "Olha a cobra" e todo mundo vai para o outro lado, até que essa mesma pessoa diz "É mentira..." e todos passam a caminhar para onde estavam indo antes. Simples assim; a famosa manada de touros em que um acompanha outro sem saber onde vai chegar.
Para lucrar com ações a estratégia é mais óbvia que parece. Você deve comprar quando todos querem vender, e vender quando todos querem comprar. Em outras palavras, ser um touro rebelde da manada dos iguais.
Tomaremos a crise como exemplo. Alguém gritou "Olha a cobra", que era a crise, e o mercado se comportou negativamente. Quem estava no barco pulou, quem estava no porto não embarcou. Os papéis, mesmo os blue-chips, desvalorizaram-se gradativamente. Alguns de maneira assustadora. Grandes investidores migraram para o conservadorismo, como renda fixa e poupança. Este era o momento ideal de pegar a sacolinha e ir às compras, agindo como se fosse uma liqüidação: "KLBN4 à 2,86; VCPA4 à 8,51. Corram, venham comprar, pois é por tempo limitado!". E realmente era.
Quando, enfim, disseram "É mentira...", que era a tal da marolinha do Lula, o mercado se reaqueceu. Bancos, antes temerosos, passaram a liberar crédito, empresas que estavam demitindo, aos poucos, passaram a contratar, e, hoje, a Bolsa encontra-se novamente em ascenção. E dou um doce para quem descobrir algum analista, com excessão do Roubini, que tenha feito uma previsão de queda de 70% do valor de alguma ação antes ou durante a crise.
Como disse, ninguém pode prever o futuro.
O mercado de ações é um jogo. Os riscos existem, porém, são calculados, e, ao menos que você seje muito teimoso, dificilmente perderá mais que 50% do seu capital.
Portanto, arrisque. Coloque um pouco de pimenta na sua vida. Torça, vibre, estude. Leia muito, mantenha-se sempre informado e jogue. Na final, quem pode ganhar o título do campeonato realmente é você.
Mas lembre-se de mim quando topar os analistas...
Dilma x Serra

E chega mais um ano eleitoral.
William Bonner diz "Boa noite" mais cedo, o jogo de quarta-feira termina mais tarde e o país fica um pouco mais poluído com os "santinhos" jogados na rua. Isso sem contar os 20 intermináveis minutos diários do Programa Partidário Obrigatório, que, se fosse tão interessante mesmo, nem precisaria ser obrigatório.
Enfim, é ano eleitoral. E neste ano, mais que uma disputa entre indivíduos e partidos políticos almejando o supremo poder da Terra Tupiniquim, teremos uma épica e intrínseca batalha entre duas correntes filosóficas econômicas. Dilma x Serra. PT x PSDB. Keynesianismo x Neoliberalismo.
Explico.
Nem todo o governo tem ambas características. O Governo Lula, por exemplo, aplica uma política de contensão inflacionária considerada conservadora ao mesmo tempo que basea-se nos pressupostos Keynesianos quanto ao consumo e renda, bem como em sua preocupação com o desenvolvimento de obras públicas e projetos sociais.
Já no governo tucano, tivemos a privatização de diversas empresas estatais como uma forte característica neoliberalista, mas não detectamos qualquer elemento relevante oriundo de uma intervenção do estado.
Em outras palavras, a ideologia do PSDB é visivelmente amparada pela Lei de Say, pelos conceitos fisiocratas de mercado e pela rejeição da política anticíclica, que no ponto de vista clássico seria uma rédea no desenvolvimento. O PT, ao contrário, adotou uma política intervencionista, dando um papel regulamentador ao estado baseado na teoria de John Maynard Keynes.
Portanto, não é incoerente afirmar que estamos diante de um momento ímpar na história política e econômica deste país. Temos a oportunidade de escolher se queremos ou não o estado em nossas vidas, se a política que está sendo adotada é o melhor caminho para o desenvolvimento e se a intervenção governamental na economia se faz mesmo necessária.
A decisão é nossa.
Taxação do capital estrangeiro: Devaneio do Mantega ou Protecionismo de Mercado?

Andei lendo alguns comentários no site da Mycap e no Uol e notei que tem muita gente equivocada sobre a taxação do capital estrangeiro imposta a partir de hoje pelo governo.
Seguramente, posso dizer que essa medida não visa ajudar os exportadores, não serve pra elevar o preço do dólar, não tem nada a ver com a crise financeira e muito menos é ruim para o pequeno investidor. Simplesmente é uma ação defensiva - já existente, inclusive, em outros países - que inibe a ação do capital especulativo estrangeiro, ou seja, os "Gringos" que investem sem comprometimento algum com as empresas ou com o país, pensando exclusivamente na oscilação do mercado. Portanto, sugiro que analisem com cuidado.
Particularmente eu não creio que seja um "bicho-papão" como estão dizendo. A princípio, obviamente que a decisão afetará a curva de oferta e demanda dos papéis negociados na BOVESPA, mas ainda sim eu vejo a taxação como uma medida que já deveria ter sido adotada há muito tempo.
Afinal, se querem especular, eles que especulem nos seus respectivos países, oras!
O "ser especulador"
Mês mais do que sem graça! Nenhum acontecimento verdadeiramente digno de um comentário aqui no blog.
Exceto o fato de que um grande amigo está prestes a entrar corajosamente na tempestade inescrupulosa que é o mercado financeiro. E, se não bastasse, de maneira declaradamente especulativa, fria, com requintes de crueldade, transpassando uma mensagem meio que subliminar do tipo "Desenvolvimento sustentável que nada, eu quero é money!".
Sorte à ele. E só, porque dom, ele já tem.
De qualquer forma, o mês de outubro não pode passar despercebido. Por isso, revolvi postar um trecho retirado do Livro "Os Axiomas de Zurique" (isso não se trata de link patrocinado) com o intuito de mostrar um pouco sobre o que é ser um "ser especulador".
"Estratégia Especulativa
Especificamente, o que o 1º Axioma aconselha a você fazer com o seu dinheiro?
Manda arriscá-lo. Não tenha medo de se machucar um pouco. Geralmente, a taxa de risco em que estará envolvido não chega a ser de arrepiar os cabelos. Ao se decidir a enfrentá-la, estará se dando a única chance realista de pôr-se acima da pobreza.
O preço a pagar por esta chance gloriosa é um estado de preocupação permanente. Esta preocupação, porém, insiste o 1º Grande Axioma, não é a doença que a moderna psicologia acredita ser. É o molho forte e picante da vida. Quando você se habituar com seu gosto, não passará mais sem ele."
Tempo, tempo...
Pra que tanta pressa, Tempo? Você já foi mais calmo, mais maneiro. Naquele tempo você era mais Tempo, ou tinha mais tempo, sei lá. Hoje é essa agonia, essa ansiedade.
Lembra que Dorival Caymmi demorou 9 anos para compor João Valentão? Pois é. Hoje basta uma noite para alguém compor uma sinfonia, um dia para produzir um filme, uma hora para escrever um livro, um segundo para parir um poema. Filmes, discos, livros que ninguém irá curtir direito, por falta de tempo.
Por causa dessa sua paixão pela velocidade, já não bebo com meus amigos, não converso com meus filhos, não namoro minha mulher. Ainda bem que eles nem percebem, não dá tempo.
Amar demora muito. Como amar o que não se tem tempo de conhecer? O máximo que eu consigo é dar uma checada rápida, pisando no freio e no acelerador ao mesmo tempo, como fazem os pilotos de Fórmula 1 para não perder tempo nas curvas. É isso! Você transformou minha vida num Grande Prêmio: cronometrado e sem direito a erros.
Você é pão duro, Tempo. Pão duro e omisso. Sempre que preciso de você, você manda a Pressa em seu lugar. Mas o que mais me irrita é essa sua prepotência, essa sua boçalidade, essa determinação cega de nunca voltar atrás. Isso me deixa louco da vida. Sua sorte é que estou sem tempo agora, senão…
Os onze ingredientes de uma pizza
São onze denúncias de "atos secretos" - nem tão secretos assim - envolvendo o presidente do senado, José Sarney. Entre elas, repasse de informações privilegiadas, sonegação de impostos, nomeação de parentes e agregados para cargos na instituição por atos secretos e desvio de dinheiro para contas no exterior.
Todas, pasmem-se, foram arquivadas. E, como se não bastasse, arquivadas pelo Conselho de Ética!
Ética...
Característica, esta, que deveria ser quesito mínimo dos senhores que estão no senado eleitos representantes da sociedade brasileira.
Característica que, no entanto, está designada à poucos.
E engana-se quem acha que qualquer outra nação goste mais de pizza do que a brasileira. Ou ainda quem acredite que outros a façam melhor.
Aqui é assim: cara-a-cara, olho no olho. Sem medo. A preparação é escancarada, desde a massa até a azeitona. Todo mundo vê, mas ninguém faz nada. Afinal, é só mais uma pizza, nem a última, nem a primeira.
Mas essa vai demorar à ser digerida, pois, nunca na história desse país, foram usados tantos ingredientes de uma só vez. Onze!