The winter is coming...


O verão foi duradouro. Tempo de bons investimentos, altos ganhos e riscos intensamente minimizados. Foi um bom período para se investir na bolsa, que hoje encontra-se na casa dos 63000 pontos. Também em títulos da dívida pública que, atrelados à taxa SELIC, até ontem, pagavam os maiores juros do planeta. No mercado imobiliário, rendimentos extraordinários dado o curto prazo para realização e a alta Liquidez proporcionada por intensos programas de crédito e habitação.
Mas, ao que tudo indica, o inverno está prestes a chegar, e este é o momento de revermos nossos conceitos e estratégias para evitar que nossa nossa vida financeira trilhe caminhos tortuosos.
O que aconteceu na Grécia é uma "marolinha" se comparado com o que pode acontecer com a Espanha.
O valor dos ativos na mão dos 3 maiores bancos do país é proporcional a 3 vezes o valor do PIB nacional. A taxa de desemprego é de aproximadamente 22%. Desemprego gera inadimplência.
Se a Espanha desabar leva consigo a Zona do Euro. É a tal da inconversibilidade monetária que com o passar dos anos, na minha singela opinião, se mostrou inadequada.
Para quem está na bolsa no papel de especulador, o período que se aproxima será um grande teste de emoções. Para quem investe a longo prazo, um teste de determinação.
O inverno está chegando.
O barco vai balançar.

Batalha cambial e suas conseqüências

Não é de hoje que o Brasil vive um dilema com relação ao preço do dólar.
A busca incessante pelo ponto de equilíbrio (com, obviamente, uma nada discreta participação do estado sempre que lhe parece necessário) torna essa instabilidade diária do mercado capaz de desencadear uma luta de interesses completamente distintos no que se diz respeito ao valor da moeda, mas que, na verdade, visam o mesmo resultado: maior lucro.

Por um lado estão os importadores. Eles podem ser subdivididos em diversos casos individuais; empresas que revendem produtos importados, companhias que utilizam matéria prima proveniente de outros países, ou mesmo nós, consumidores, que enxergamos na desvalorização da moeda americana uma ótima oportunidade de satisfazer nossos mais compulsivos instintos materialistas.

Em contrapartida, encontram-se os exportadores que, com a desvalorização cambial, sofrem incandescentemente em duas vertentes: ao mesmo tempo em que perdem sua força no comércio exterior, lutam contra a invasão dos produtos importados numa concorrência tecnológica e de preços que muitas vezes é absolutamente desigual.
O fato é que essa visão mais genérica do pensamento de ambos os setores é suficiente para nos dar uma mínima idéia de como é difícil para as autoridades que são responsáveis pelas diretrizes da política econômica brasileira encontrar uma situação que agrade a gregos e troianos. Cada ótica que for analisada nos fará propensos a encontrar argumentos satisfatórios que justifiquem a já citada intervenção do estado na compra ou venda de moedas estrangeiras em determinadas situações.

Hoje, por exemplo, com o dólar na casa dos R$ 1,70, a principal crítica por parte de vários economistas é a de que a nossa moeda está muito valorizada.
No entanto, os empresários já estão reagindo. Segundo uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo no dia 05 de setembro de 2010, grandes corporações dos mais variados setores da indústria nacional já solicitaram junto ao ministério da fazenda uma elevação nas tarifas de importação, medida considerada protecionista e de caráter adverso à idéia de livre comércio entre nações. Segundo o mesmo jornal, Guido Mantega, numa tentativa de atender às necessidades do mercado doméstico, já admitiu a possibilidade de ceder à pressão.

Paralelamente, a União Européia já demonstrou seu descontentamento com relação ao incentivo às exportações através do BNDES. Para a UE, essas barreiras comerciais impostas pelo governo brasileiro assemelham-se às da China, e são capazes de distorcer de forma abrupta o comércio mundial.
Ora, sensato, portanto, de acordo com a UE, seria deixar que produtos estrangeiros entrassem em um país cuja propensão marginal a consumir é extremamente alta, abandonar a indústria doméstica ao vento do livre comércio numa atitude autodestrutiva e ver o dinheiro se esvairando enquanto a população fica sem emprego.

O Brasil, historicamente, é um país que zela pelas boas relações internacionais. Mas ninguém aqui é bobo. Todos nós sabemos que tanto na Europa quanto nos Estados Unidos há barreiras comerciais intrínsecas para produtos estrangeiros. Um bom exemplo do que acabamos de citar é o gado exportado pelo Brasil, onde o produtor, hora ou outra, é surpreendido por uma nova norma da vigilância sanitária ou exigências cada vez mais absurdas que nos dá a impressão de não ter outro intuito senão encarecer o preço da carne.

O ideal, portanto, é agir com cautela, sem extremos. Manter nossa boa relação com outros países, formar e participar de grupos sólidos de comércio internacional e incentivar a atividade produtiva no país com aquelas reformas tributária, trabalhista e política, que como todos sabem, ou deveriam saber, parecem se tornar cada vez mais urgentes para o crescimento contínuo e seguro do nosso país.

Atualização

Acabei de incluir um sistema de busca de postagens antigas aqui no blog.
Você pode encontrá-lo acima da coluna "Sobre o autor", no lado direito (---->) da página.



Faltam menos de 5 dias para as eleições.
E, parafraseando nosso presidente, nunca na história desse país tivemos tão poucas opções razoáveis para escolher.
Entre os palhaços que já estamos habituados a ver - que por si só já garantiriam a existência do circo, um, em especial, resolveu se vestir à caráter e se candidatar à deputado federal. Um outro, cujo o nome graças a Deus não me lembro, pede para que eu "Vote com prazer", depois de várias reboladas ao som de um funk bem carioca e a divulgação de seu número, com final 69.
E, como se não bastasse, temos a opção de eleger aí algumas frutas, alguns pagodeiros, jogadores de futebol e ex-bbb's.
Que tipo de país queremos deixar para os nossos filhos?
Nossa maneira de votar precisa ser urgentemente revista. Talvez, na ânsia de querer mostrar nossa indignação com os políticos atuais, estamos trazendo no lugar gente ainda pior e sem condições de fazer algo verdadeiramente relevante para a sociedade brasileira.
Ora, se é para protestar, que se vote nulo então, o que é mil vezes melhor do que eleger qualquer uma dessas figurinhas que estão por aí.
Não acredite em tudo o que dizem no horário eleitoral.
Ainda pode ficar muito pior do que está.
Seja sensato!

Sobre a China, países dos BRIC's e perspectivas futuras.

A principal vantagem chinesa em relação a outros países emergentes, entre eles o Brasil, sem sombra de dúvidas, é o baixo custo da mão-de-obra. Não por acaso a China consegue há alguns anos manter um crescimento anual do PIB acima dos 7%, turbinado pela exportação de seus produtos que invadem e ganham mercados através de uma concorrência absolutamente desigual de preços.

No entanto, algo tem mudado no destemido país oriental. O nível de tolerância da classe produtiva às condições precárias de trabalho, ausência de direitos humanitários e também aos baixos salários pagos pelos donos dos meios de produção tem sido cada vez menor. Greves, paralisações e manifestações reivindicativas têm acontecido com muito mais freqüência desde que a China passou a figurar entre as maiores economias do mundo. A reportagem de 25 de julho de 2010 do jornal O Estado de S. Paulo, “China enfrenta ‘revolta’ da mão-de-obra” refuta claramente a idéia de perpetuação desse modelo sistêmico de capitalismo em que o principal prejudicado é o trabalhador que não compartilha desse imenso progresso econômico que o país tem deleitado. De fato, as circunstâncias atuais prevêem o início de uma crise interna de caráter social na terra de Mao Tse-Tung, e que os demais países dos BRIC’s, principalmente o Brasil, podem tirar proveito.

Brasil e Índia, hoje, dentre os chamados países dos BRIC’s, são os que possuem melhores relações internacionais com as grandes potências do globo. Isso se deve ao fato de que, ao contrário da China e da Rússia, os dois primeiros são regidos por governos oriundos de uma democracia bastante solidificada.

Nos últimos anos, os resultados das políticas econômicas e sociais aplicadas pelo governo brasileiro elevaram não só o índice de confiabilidade perante o mercado internacional como também o PIB per-capita e as atividades produtivas do país. Isso, somado à grande faixa territorial existente e o clima equatorial que abrange grande parte do território nacional e que favorece o desenvolvimento agropecuário, nos dá uma idéia bastante otimista sobre a posição que o Brasil ocupará no futuro num contexto global.

Hoje somos um dos principais exportadores de commodities do mundo. Com um incentivo maior ao beneficiamento dos produtos, mudanças legítimas e imediatas nas legislações tributária e trabalhista, e uma continuidade nos programas sociais e de expansão ao crédito, o Brasil pode, em breve, vigorar entre as 10 maiores economias do mundo. E o mais importante: através de um crescimento gradativo e sustentável, diferentemente do que assistimos hoje no populoso território Chinês.

Sigam-me os bons!



PETR4 a 30,14

Mesmo com todos os problemas internos da empresa, não dá pra ignorar ações da Petrobrás a um preço tão atrativo.

Ainda mais levando em consideração os projetos em desenvolvimento, como a exploração do Pré-sal.

Para os fundamentalistas de plantão, está aí uma ótima alternativa para M/LP. Para o CP, sei não...

Analogia perfeita sobre o Brasil

Ultraje a Rigor

Terceiro

Todo equipado, preparado na linha de partida
Daqui a pouco vai ser dada a saida
Todo mundo nervoso e eu não tó nem aí
O importante é competir

Então tá, vamo lá, nem vou me preocupar
Já tá tudo armado pr'eu me conformar
Eu vou tentar só pra não falar que eu nem sou atleta
Ia ser legal chegar junto na frente
Mas iam falar que quero ser diferente
Tá bom demais, pelo menos eu não saio da reta

Por isso eu sempre sou
Terceiro!
Terceiro!
Pra mim tá louco de bom!

Marcando passo vou seguindo sem ser muito ligeiro
Com cuidado pra não ser o primeiro
É bonito, eu imito mas o pódium não é pra mim
Eu não sou a fim!
Se eu me esforço demais vou ficar cansado
Já dá pra enganar eu ficando suado
Se reclamarem eu boto a culpa no patrocinador

Não botaram fé porque não ia dar pé
Não ia dar pé porque não botaram fé
De qualquer forma eu pego um bronze porque eu gosto da cor

Por isso eu sempre sou
Terceiro!
Terceiro!



Nota do blog: Não tenho idéia se o grupo compôs essa música pensando no país. Mas que parece, parece...

O Brasil está pronto para crescer? Um aumento na SELIC mostrará que não...




"Ao contrario do passado, quando muitas vezes o Brasil saía de uma crise quebrado, hoje não, o Brasil sai da crise de uma maneira muito saudável e preparado para crescer" - Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central.

"No final desta década o Brasil já vai ser um país avançado, a quinta ou a sexta economia do mundo e com potencial de crescer de 5% a 6% por muito tempo". - Guido Mantega, Ministro da Fazenda.

O que há de incomum em ambas afirmações é a certeza de que o Brasil saiu da crise de maneira mais efetiva que outros países. Tanto um quanto outro estão certos de que nosso país está pronto para crescer e o Ministro da Fazenda projeta o Brasil como a quinta ou sexta maior economia do mundo em 10 anos. Haja otimismo.

Pois bem. A controvérsia disso tudo virá na reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) prevista para o próximo dia 28. Esta reunião, muito provavelmente, definirá um aumento de cerca de 0,75% da taxa básica de juros, a famosa SELIC. A justificativa desse aumento está no receio de que a inflação deste ano ultrapasse muito a meta estabelecida pelo governo.

Um aumento na SELIC significa que o crédito ficará mais caro tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Em contra-partida, aplicações em títulos nacionais ficarão, obviamente, mais atrativas. O empresário investirá menos em ampliação do espaço físico, aquisição de novos equipamentos, contratação de mão-de-obra, etc. e mais em aplicações financeiras. Ao mesmo tempo, o consumo dos cidadãos comuns cai devido à diminuição da oferta de crédito. Trata-se de uma política contracionista que normalmente é adotada pelo governo quando este julga que existe muita moeda em circulação e, portanto, a demanda por bens e serviços está maior que a capacidade produtiva do país.

Ora, mas como é que a demanda por bens e serviços está maior que a oferta se, segundo Mantega e Meirelles, o Brasil era um país que estava "preparado para crescer"?

Incoerência, não?

Tenho que admitir que, quando li essas declarações ainda em 2009, fiquei um tanto quanto intrigado. Tudo bem que possuímos aqui uma política tributária efetiva, leis trabalhistas condizentes com a realidade atual, excelente infra-estrutura, transporte de qualidade, aeroportos que operam com a máxima eficiência, empresas com capacidade produtiva ociosa, educação de 1º mundo... Mas acho que "preparado para crescer" é um termo muito complexo quando o assunto é Brasil. Imagine então quando li que seríamos, no fim da década, a 5ª economia mundial? Quase tive um colapso.

Claro que isso, de fato, não é impossível de acontecer. Porém, ao meu ver, pouco provável.

O Brasil tem ainda muito a fazer se quiser um dia vigorar entre as nações mais ricas do globo. Não existe a menor possibilidade de um país ter um desenvolvimento acima da média enquanto ainda achar que a inflação só é controlada através de política monetária.

À grosso modo, fica claro que estamos no início de um processo inflacionário e que a melhor alternativa à curto prazo é o aumento da taxa de juros. Mas, daí o fato de aparecer na mídia com a cara lavada numa tentativa, quem sabe, de auto-promoção dizendo que o país está pronto para crescer, para mim, é no mínimo subestimar a inteligência alheia.

O problema por aqui é político. Ninguém pensa à longo prazo, diga-se num período maior que 4 anos, por que não sabe se ficará por mais tempo que isso no poder e não quer dar a faca e o queijo para um possível inimigo partidário eventualmente assumir o cargo como seu sucessor. O que eu quero dizer é que ninguém vai fazer um projeto que outro possa ficar com os méritos. Isso explica, por exemplo, o fato de não termos uma Reforma Tributária, da Lesgilação Trabalhista, Previdência, entre outras inúmeras que envolvem tempo e trabalho.

A conclusão que chego é que o Brasil não deixará de ser um país subdesenvolvido enquanto permanecer com a idéia de resolver os seus problemas pensando no curto prazo. E receio que o resultado mais que óbvio da reunião do COPOM é uma gigantesca amostra disso.

Lição do dia: Como não se comportar no último ano de mandato




O Brasil cresceu consideravelmente nos últimos anos.

Nos tornamos uma espécie de líder na América do Sul, conseguimos controlar a inflação, e elevamos o índice de confiabilidade internacional. Isso sem contar a maneira surpreendente que saímos da crise financeira. Esses 7 anos que se passaram, apesar de todos os escândalos políticos, foi um período vitorioso num contexto geral.

No entanto, há uma ressalva a se fazer. Neste ano, nosso presidente anda dando uma mancada atrás da outra.

Primeiro escolheu um boneco ventríloco como candidato à sucessor. Dilma Rousseff não tem nem de longe 30% da empatia que o trouxe ao Planaldo Central. Como bem disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Dilma é como a lua, não tem luz própria, e, portanto, utiliza a luz do sol para que seja vista.

Ainda não contente com nossos incontáveis problemas internos, Lula quer se envolver também com os problemas alheios. Foi fazer uma pretenciosa visita no Oriente Médio, como se fosse ajudar muito nas negociações de paz em um ambiente onde a guerra já é cultural. Estava no Oriente ao invés, por exemplo, de presenciar a cerimônia de posse do novo Presidente Sebastián Piñera que, ao meu ver, seria bem mais beneficiária ao país, uma vez que estreitaria muito as relações entre Brasil e Chile.

Para terminar, vão aumentar a taxa de juros. Não foi ontem como previsto por alguns analistas, mas na reunião que acontecerá em 28 de abril um aumento de pelo menos 0,5% na taxa SELIC é praticamente certo. Essa medida serve para controlar a inflação, mas, como efeito colateral, amarra o desenvolvimento do país.

É uma pena, porque toda vez que o Brasil engatilha um crescimento sustentável alguém aparece para segurar a demanda interna e desestimular a indústria.

Decepcionante.

Mudança no template

Como podem observar, dei um upgrade na aparência do blog.
Além disso adicionei uma ferramenta de anúncios do Google que aparece no final de cada postagem, já incluindo esta.
Espero que gostem.

A Bolsa, como ela é...

Expectativa.

Sim, o imprevisível mercado acionário se resume basicamente nesta expressão.

Oras, dirão os mais informados, para que servem então todos aqueles analistas financeiros, as complexas análises fundamentalistas, os grafistas com suas análises técnicas, o estudo de mercado, e a lista das 10 mais da Você SA se tudo está a mercê de o que os investidores acham que vai acontecer no futuro?

Nada, eu respondo, além de tentar passar uma sensação de segurança em um lugar onde quem reina é o caos.

A Bolsa, segundo Keynes, assemelha-se a um cassino. O fato de você ter tirado 6 no dado no passado não aumenta a possibilidade de repetir o feito numa segunda ocasião.

Obviamente, uma análise fundamentalista para um investimento a LP, ou técnica para o curto ou DT podem ser ferramentas úteis, desde que você não as considere como verdades absolutas. O fato é que nenhum analista do mundo pode prever o futuro. Eles podem apontar tendências, suposições e expectativas, mas nunca estarão 100% convictos de que suas previsões estão corretas.

O mercado só é instável por causa da expectativa. Todos, não só você, estão no mesmo barco esperando o primeiro gritar "Abandonar o navio" e aí todos pulam na água. Ou melhor: se parece ainda com aquela brincadeira de festas juninas, onde alguém grita "Olha a cobra" e todo mundo vai para o outro lado, até que essa mesma pessoa diz "É mentira..." e todos passam a caminhar para onde estavam indo antes. Simples assim; a famosa manada de touros em que um acompanha outro sem saber onde vai chegar.

Para lucrar com ações a estratégia é mais óbvia que parece. Você deve comprar quando todos querem vender, e vender quando todos querem comprar. Em outras palavras, ser um touro rebelde da manada dos iguais.

Tomaremos a crise como exemplo. Alguém gritou "Olha a cobra", que era a crise, e o mercado se comportou negativamente. Quem estava no barco pulou, quem estava no porto não embarcou. Os papéis, mesmo os blue-chips, desvalorizaram-se gradativamente. Alguns de maneira assustadora. Grandes investidores migraram para o conservadorismo, como renda fixa e poupança. Este era o momento ideal de pegar a sacolinha e ir às compras, agindo como se fosse uma liqüidação: "KLBN4 à 2,86; VCPA4 à 8,51. Corram, venham comprar, pois é por tempo limitado!". E realmente era.

Quando, enfim, disseram "É mentira...", que era a tal da marolinha do Lula, o mercado se reaqueceu. Bancos, antes temerosos, passaram a liberar crédito, empresas que estavam demitindo, aos poucos, passaram a contratar, e, hoje, a Bolsa encontra-se novamente em ascenção. E dou um doce para quem descobrir algum analista, com excessão do Roubini, que tenha feito uma previsão de queda de 70% do valor de alguma ação antes ou durante a crise.

Como disse, ninguém pode prever o futuro.

O mercado de ações é um jogo. Os riscos existem, porém, são calculados, e, ao menos que você seje muito teimoso, dificilmente perderá mais que 50% do seu capital.

Portanto, arrisque. Coloque um pouco de pimenta na sua vida. Torça, vibre, estude. Leia muito, mantenha-se sempre informado e jogue. Na final, quem pode ganhar o título do campeonato realmente é você.

Mas lembre-se de mim quando topar os analistas...

Dilma x Serra



E chega mais um ano eleitoral.

William Bonner diz "Boa noite" mais cedo, o jogo de quarta-feira termina mais tarde e o país fica um pouco mais poluído com os "santinhos" jogados na rua. Isso sem contar os 20 intermináveis minutos diários do Programa Partidário Obrigatório, que, se fosse tão interessante mesmo, nem precisaria ser obrigatório.

Enfim, é ano eleitoral. E neste ano, mais que uma disputa entre indivíduos e partidos políticos almejando o supremo poder da Terra Tupiniquim, teremos uma épica e intrínseca batalha entre duas correntes filosóficas econômicas. Dilma x Serra. PT x PSDB. Keynesianismo x Neoliberalismo.

Explico.

Nem todo o governo tem ambas características. O Governo Lula, por exemplo, aplica uma política de contensão inflacionária considerada conservadora ao mesmo tempo que basea-se nos pressupostos Keynesianos quanto ao consumo e renda, bem como em sua preocupação com o desenvolvimento de obras públicas e projetos sociais.

Já no governo tucano, tivemos a privatização de diversas empresas estatais como uma forte característica neoliberalista, mas não detectamos qualquer elemento relevante oriundo de uma intervenção do estado.

Em outras palavras, a ideologia do PSDB é visivelmente amparada pela Lei de Say, pelos conceitos fisiocratas de mercado e pela rejeição da política anticíclica, que no ponto de vista clássico seria uma rédea no desenvolvimento. O PT, ao contrário, adotou uma política intervencionista, dando um papel regulamentador ao estado baseado na teoria de John Maynard Keynes.

Portanto, não é incoerente afirmar que estamos diante de um momento ímpar na história política e econômica deste país. Temos a oportunidade de escolher se queremos ou não o estado em nossas vidas, se a política que está sendo adotada é o melhor caminho para o desenvolvimento e se a intervenção governamental na economia se faz mesmo necessária.

A decisão é nossa.

Taxação do capital estrangeiro: Devaneio do Mantega ou Protecionismo de Mercado?




Andei lendo alguns comentários no site da
Mycap e no Uol e notei que tem muita gente equivocada sobre a taxação do capital estrangeiro imposta a partir de hoje pelo governo.

Seguramente, posso dizer que essa medida não visa ajudar os exportadores, não serve pra elevar o preço do dólar, não tem nada a ver com a crise financeira e muito menos é ruim para o pequeno investidor. Simplesmente é uma ação defensiva - já existente, inclusive, em outros países - que inibe a ação do capital especulativo estrangeiro, ou seja, os "Gringos" que investem sem comprometimento algum com as empresas ou com o país, pensando exclusivamente na oscilação do mercado.
Portanto, sugiro que analisem com cuidado.

Particularmente eu não creio que seja um "bicho-papão" como estão dizendo. A princípio, obviamente que a decisão afetará a curva de oferta e demanda dos papéis negociados na BOVESPA, mas ainda sim eu vejo a taxação como uma medida que já deveria ter sido adotada há muito tempo.

Afinal, se querem especular, eles que especulem nos seus respectivos países, oras!

O "ser especulador"

A Bolsa subiu, o Dollar permaneceu, o Button foi campeão e o Brasil está na copa.

Mês mais do que sem graça! Nenhum acontecimento verdadeiramente digno de um comentário aqui no
blog.

Exceto o fato de que um grande amigo está prestes a entrar corajosamente na tempestade inescrupulosa que é o mercado financeiro. E, se não bastasse, de maneira declaradamente especulativa, fria, com requintes de crueldade, transpassando uma mensagem meio que subliminar do tipo "Desenvolvimento sustentável que nada, eu quero é money!".


Sorte à ele. E só, porque dom, ele já tem.

De qualquer forma, o mês de outubro não pode passar despercebido. Por isso, revolvi postar um trecho retirado do Livro "Os Axiomas de Zurique" (isso não se trata de link patrocinado) com o intuito de mostrar um pouco sobre o que é ser um "ser especulador".

"Estratégia Especulativa

Especificamente, o que o 1º Axioma aconselha a você fazer com o seu dinheiro?

Manda arriscá-lo. Não tenha medo de se machucar um pouco. Geralmente, a taxa de risco em que estará envolvido não chega a ser de arrepiar os cabelos. Ao se decidir a enfrentá-la, estará se dando a única chance realista de pôr-se acima da pobreza.


O preço a pagar por esta chance gloriosa é um estado de preocupação permanente. Esta preocupação, porém, insiste o 1º Grande Axioma, não é a doença que a moderna psicologia acredita ser. É o molho forte e picante da vida. Quando você se habituar com seu gosto, não passará mais sem ele.
"

Tempo, tempo...

Pra que tanta pressa, Tempo? Você já foi mais calmo, mais maneiro. Naquele tempo você era mais Tempo, ou tinha mais tempo, sei lá. Hoje é essa agonia, essa ansiedade.

Lembra que Dorival Caymmi demorou 9 anos para compor João Valentão? Pois é. Hoje basta uma noite para alguém compor uma sinfonia, um dia para produzir um filme, uma hora para escrever um livro, um segundo para parir um poema. Filmes, discos, livros que ninguém irá curtir direito, por falta de tempo.

Por causa dessa sua paixão pela velocidade, já não bebo com meus amigos, não converso com meus filhos, não namoro minha mulher. Ainda bem que eles nem percebem, não dá tempo.

Amar demora muito. Como amar o que não se tem tempo de conhecer? O máximo que eu consigo é dar uma checada rápida, pisando no freio e no acelerador ao mesmo tempo, como fazem os pilotos de Fórmula 1 para não perder tempo nas curvas. É isso! Você transformou minha vida num Grande Prêmio: cronometrado e sem direito a erros.

Você é pão duro, Tempo. Pão duro e omisso. Sempre que preciso de você, você manda a Pressa em seu lugar. Mas o que mais me irrita é essa sua prepotência, essa sua boçalidade, essa determinação cega de nunca voltar atrás. Isso me deixa louco da vida. Sua sorte é que estou sem tempo agora, senão…

Os onze ingredientes de uma pizza

Não são uma, nem duas.

São onze denúncias de "atos secretos" - nem tão secretos assim - envolvendo o presidente do senado, José Sarney. Entre elas, repasse de informações privilegiadas, sonegação de impostos, nomeação de parentes e agregados para cargos na instituição por atos secretos e desvio de dinheiro para contas no exterior.

Todas, pasmem-se, foram arquivadas. E, como se não bastasse, arquivadas pelo Conselho de Ética!

Ética...

Característica, esta, que deveria ser quesito mínimo dos senhores que estão no senado eleitos representantes da sociedade brasileira.

Característica que, no entanto, está designada à poucos.

E engana-se quem acha que qualquer outra nação goste mais de pizza do que a brasileira. Ou ainda quem acredite que outros a façam melhor.

Aqui é assim: cara-a-cara, olho no olho. Sem medo. A preparação é escancarada, desde a massa até a azeitona. Todo mundo vê, mas ninguém faz nada. Afinal, é só mais uma pizza, nem a última, nem a primeira.

Mas essa vai demorar à ser digerida, pois, nunca na história desse país, foram usados tantos ingredientes de uma só vez. Onze!

Pai inflacionado

Ser filho em 2009 ficou mais caro.

Isso por que, segundo estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), os presentes típicos do Dia dos Pais sofreram inflação de até 20% com relação a 2008.

O Blaizer Masculino, por exemplo, sofreu alta de 19,81%, enquanto a camisa masculina está 6,81% mais cara.

Seu pai não só vai ficar contente com o presente na data comemorativa como também em saber que ele está mais valorizado.

Mas nada é mais importante que o carinho e o amor demonstrados nesse dia tão especial.



Dia que, inclusive, não tem nada a ver com marketing, vendas, ou algo do gênero.

Não é?

Sobre dinheiro e felicidade

Dinheiro não traz felicidade.

É o que eu sempre ouço dizer desde criança.

Engraçado é que quando o fator financeiro não é o motivo de uma briga conjugal, ele, na menor das hipóteses, é pelo menos citado. Isso sem contar as noites mal-dormidas cujo o motivo é a severa preocupação com alguma prestação em atraso.

Eu não quero nem imaginar ter que depender do Sistema Único de Saúde caso um dia eu fique doente. Também não pretendo deixar que meus filhos estudem em escolas onde os professores trabalham a um nível de subsistência, em 3 turnos diários, sem as mínimas condições de lecionarem com qualidade.

Não quero ter de trabalhar a vida toda, e, com 65 anos, ter de gastar 60% da minha mísera aposentadoria com medicamentos.

E não me venham falar que isso é ser feliz, por que não é. Não consigo imaginar alguém contente com tudo isso.

Para mim esse famoso ditado de que dinheiro não traz felicidade foi feito por alguém extremamente frustrado. Alguém que não conseguiu ter tudo o que almejava, fez bico, e disse algo do tipo: "Deixa, eu nem queria mesmo!".

Por isso, vou lançar aqui um ditado mais adequado:

"Dinheiro não traz felicidade, mas paga o frete de tudo o que traz."

E não é que subiu?!

Após meses oscilando, o IBOVESPA volta a mostrar sinais claros de recuperação.

Bom para quem acreditou e comprou barato, já que esse ano alguns papéis chegam a ter uma valorização de mais de 40%.

E quem comprou caro mas foi forte o bastante para enfrentar a crise agarrado aos seus ativos, pode agora ter de volta seu capital investido e dormir, enfim, um pouco mais tranqüilo.


Todo mundo bem feliz, é verdade. Mas ninguém mais que o nosso presidente que vai se gabar pro resto da vida: "Eu não disse que era uma marolinha?! Eu não disse?!"






Nota Fiscal Paulista: A tradução do "Blá Blá Blá".

Domingo é o dia do tédio.

Principalmente de tarde quando você liga a TV na esperança de ver alguma coisa interessante e se depara com Faustão, Eliana e Gugu travando uma guerra intrínseca não sei se por audiência ou superficialidade. Porém, no intervalo de um desses três programas, algo me chamou muito a atenção.

Foi uma propaganda do governo do estado de São Paulo onde um cidadão é questionado sobre a razão pela qual ele não pede a Nota Fiscal Paulista (NFP). Então ele responde com vários "Blá Blá Blás" dando a entender que não existem motivos para não se participar do programa.

Pensando nisso, resolvi traduzir esses "Blá Blá Blás" descrevendo aqui os motivos que me levam a acreditar que não é correto pedir a NFP aos estabelecimentos.


- Por que sonegar?

Ao abrir uma empresa, você tem que ter em mente que o estado será seu grande sócio majoritário. Ele estará lucrando quando sua empresa lucra ou quando ela está deficitária. Lucrará quando você contrata um funcionário através dos encargos trabalhistas, e em todos os processos de benificiamento de matéria prima até chegar no produto final.

Essa alta carga tributária (diga-se, alimento para a corrupção) é o grande motivo pelo qual as empresas optam por sonegar seus impostos. Assim como, em parte, também é responsável pelo alto índice de falência precoce das empresas de pequeno e médio porte.


- A obrigação de fiscalizar é nossa?

O estado está repassando uma obrigação que é dele (de fiscalizar quem sonega ou não) para a pessoa física.

Fato é que o Brasil é um dos países onde se paga mais impostos. E, ao invés de diminuir essa carga tributária para que as empresas não precisem sonegar para se manterem "vivas", o governo cria um programa que inibe o desenvolvimento do empreendimento, quando, na verdade, sua função seria a de incentivar.


- Desconto em títulos do estado (como o IPVA, por exemplo)

Através da NFP, os estabelecimentos passam a pagar mais ICMS. Esse custo, obviamente, é passado para o consumidor. O estado incentiva a população a pedir a NFP com o intuito de arrecadar mais impostos, e, em troca, oferece uma insignificante percentagem de desconto em títulos de dívidas públicas que você venha a ter. O problema é que esses descontos não serão nem de longe maiores que o que pagaremos a mais por produtos e serviços nos estabelecimentos. Isso significa que o maior prejudicado acaba sendo o próprio consumidor.

Outro fator importante é que o governo estará ciente de tudo o que você gasta. Dessa maneira ficará acessível a ele o seu real poder de compra, e isso, definitivamente, não é bom.

Por esses motivos, não seje aliado da corrupção.

Ouça o "blá-blá-blá". Não exija a Nota Fiscal Paulista!